Com o aumento da expectativa de vida da população brasileira, a traumatologia geriátrica passa a apresentar uma importância cada vez maior. A sexta causa de óbito no idoso são as causas externas atrás das doenças cardiovasculares, câncer, doenças neurológicas, respiratórias e metabólicas.

As fraturas de quadril constituem lesões traumáticas peculiares à idade avançada, representando em média 50% das internações por trauma nos hospitais de pronto-socorro. Estima-se que cerca de 80% desses casos ocorrem em idosos capazes de andar sozinhos e vivendo em comunidade(1)

A Organização Mundial da Saúde considera as fraturas do fêmur proximal como um importante problema de saúde pública, não só em países desenvolvidos, como também naqueles em desenvolvimento. No Brasil não se dispõe de dados estatísticos sobre custo destas fraturas, porém, nos Estados Unidos, gastam-se 10 bilhões de dólares por ano, com uma previsão de 30 bilhões de dólares por ano nos próximos anos(3).

De todas as fraturas associadas à osteoporose, as que apresentam maiores conseqüências para a qualidade de vida do indivíduo são as da extremidade proximal do fêmur, com um índice médio de mortalidade de 30% nos primeiros 6 meses após o trauma e perda da autonomia em 50% dos casos(3-6).

A abordagem cirúrgica é o elemento chave no manejo da fratura de quadril. Em teoria, o atraso na cirurgia e na mobilização pode afetar funcionalmente e aumentar as complicações associadas ao repouso prolongado, como tromboembolismo, infeção do trato urinário, atelectasia e úlcera de pressão. Por outro lado, cirurgia precoce sem estabilização clínica do paciente pode aumentar o risco de complicações perioperatórias(1).

Em geral o tempo de abordagem cirúrgica deve ocorrer assim que possível, preferencialmente dentro de 24 a 48 horas da admissão, um intervalo que permite uma estabilização clínica do paciente(7-12).O tempo de abordagem cirúrgica pode afetar a evolução do paciente, o atraso no tratamento cirúrgico resulta em atraso na mobilização, afetando a recuperação funcional(12-14). Por outro lado, a falha na estabilização clínica antes da cirurgia, pode aumentar os riscos de complicações perioperatórias.

As principais complicações sistêmicas pós-operatórias encontradas na literatura são: infecção urinária, pneumonia e delirium, seguidas por úlcera de pressão, insuficiência cardíaca, acidente vascular cerebral, tromboembolismo, pico hipertensivo, arritmias cardíacas e infarto agudo do miocárdio(4,11,15). Delirium em idosos, após cirurgia de fratura de quadril, é uma complicação freqüente (35%), principalmente se associado a quadro de demência. Infecção do trato urinário é uma complicação muito freqüente em pacientes no pós-operatório de fratura de quadril (23%), levando à maior incidência de delirium e maior tempo de internação. O Uso de antibiótico profilático no período perioperatório mostrou importante diminuição de infecção do trato urinário.

Assim, dados da literatura demonstram que a intervenção cirúrgica precoce de idosos com fratura de quadril apresenta menores índices de complicações. Em nosso meio temos poucos dados a esse respeito.