Fraturas do quadril

1 – Fraturas do Colo Femoral
O colo femoral é a região entre a cabeça do fêmur e o trocânter. O suprimento sanguíneo é limitado e a fratura dessa região pode interromper essa pobre vascularização. Por isso o tratamento é cirúrgico,de preferência nas primeiras 48 horas, objetivando a redução anatômica para melhorar as condições de revasularização, evitando a necrose asséptica da cabeça do fêmur, ou realização de artroplastia total do quadril.

Na população idosa, as fraturas do colo do fêmur, geralmente ocorrem por quedas da própria altura.. Existem três mecanismos que explicam a fratura do colo femoral nos idosos: queda direta sobre a face lateral do trocânter maior, rotação externa do quadril com súbita elevação da carga, e fratura antecedendo e ocasionando a queda.
Entre a população jovem, estas fraturas, comumente estão associadas a traumas de alta energia, como acidentes de trânsitos e quedas de altura.
As fraturas sem desvio ou impactadas podem ocasionar dor moderada, e o paciente pode até conseguir caminhar. As fraturas com desvio acarretam intensas dores no quadril, e o paciente não consegue caminhar. O membro inferior muitas vezes fica em atitude de encurtamento e rotação externa.
Essas fraturas são preferencialmente de tratamento cirúrgico, devido a alta morbidade e consequente alta mortalidade relacionadas ao tratamento conservador.
O tratamento conservador para as fraturas do colo femoral é uma exceção, ficando reservado para pacientes com alto risco de mortalidade para o procedimento cirúrgico e anestesia. O tratamento deverá ser orientado para evitar complicações da imobilização prolongada forçada ( distúrbios pulmonares e intestinais, desorientação).
Devido ao grande risco de necrose avascular da cabeça femoral nas pessoas mais jovens, a redução antômica e fixação interna podem ser consideradas emergências cirúrgicas. Nos pacientes idosos, é necessário identificar todas as comorbidades clínicas e corrigir aquelas facilmente reversíveis antes do procedimento. Nestes casos, a cirurgia deve ser realizada com relativa urgência, preferencialmente no prazo de 48 horas. Podemos realizar osteossíntese com parafusos, ou placas e parafusos, ou realizar artroplastia total do quadril. Vai depender da idade do paciente, do padrão da fratura, da qualidade óssea, dentre outros fatores.

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2 – Fraturas Intertrocantéricas ou Transtrocantéricas
A região intertrocantérica corresponde a área entre os trocânteres . Nos adultos jovens, as fraturas do quadril acontecem geralmente devido a trauma de alto impacto. Nos idosos, a maioria das fraturas ocorre devido a uma simples queda da própria altura. Em geral, são pacientes com mais idade, quando comparados aos pacientes com fratura do colo femoral.

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As fraturas desviadas são sintomáticas, com intensa dor, incapacidade de ficar em pé e deambular. Os pacientes com fraturas sem desvio podem deambular, com dor moderada. Nas fraturas do fêmur proximal, o grau de deformidade clínica tem relação direta com o grau de desvio de fratura. Assim como nas fraturas do colo femoral, o membro acometido pode ser encontrado encurtado e em rotação externa.
As fraturas intertrocantéricas devem preferencialmente ser tratadas através de cirurgia, com relativa urgência, de aproximadamente 48 horas.

Tratamento Não Cirúrgico

Tratamento de exceção . Pode ser indicado para pacientes idosos cujo estado de saúde leve a risco elevado de mortalidade devido anestesia e cirurgia, e em casos de pacientes que não deambulam, com a fratura ocasionando mínimo desconforto. As deformidades no membro acometido devido à fratura devem ser aceitas, porém o paciente deve ser estimulado a sentar, e mobilizar-se precocemente.

Tratamento Cirúrgico

O tratamento cirúrgico é o tratamento de escolha para as fraturas intertrocantéricas, possibilitando melhor reabilitação e recuperação, diminuindo o risco de complicações decorrentes da imobilidade do paciente. O objetivo de todas as possibilidades técnicas é uma redução anatômica e fixação interna estável o suficeinte para mobilização precoce, e na medida do possível carga precoce, e até imediata.

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Os tipos de implantes para a fixação interna variam de acordo com a classificação da fratura e a preferência do cirurgião. Podemos utilizar implantes como o pino-parafuso deslizante de 135° (DHS), hastes cefalomedulares, como : PFN, TFN, e o gama nail.

A utilização de substituição protética para tratamento de fraturas intertrocantéricas fica reservado para os casos de doença degenerativa ipsilateral e sintomática e quando a redução aberta e fixação interna é frustrada devido a grande cominuição e qualidade insatisfatoria do osso.