As pessoas acima de 70 anos são as mais afetadas pela artrose do quadril, doença que causa grande limitação física, com comprometimento acentuado da qualidade de vida. A dor permanente no quadril, associada à redução de movimentos e incapacidade para atividades simples de higiene acarreta uma perda da saúde geral, já que as atividades físicas e sociais são os meios de aumentar a longevidade.

Quando já ocorreu a diminuição do espaço articular por destruição da cartilagem, não adianta utilizar antiinflamatórios e outras drogas analgésicas. Esses medicamentos são causas muito comuns de outras doenças graves, como úlcera do estômago, que pode até levar à morte por sangramento ou perfuração. Os problemas cardíacos têm sido associados ao uso crônico de alguns antiinflamatórios de lançamento recente, que foram criados exatamente com a finalidade de reduzir os efeitos nocivos que os mais antigos provocavam sobre a mucosa gástrica. Os rins e o fígado também podem ser afetados pelo uso continuado dessa classe de drogas.

A cirurgia para a colocação de próteses de substituição da articulação doente já é realizada há cerca de 40 anos. Os resultados são surpreendentes, com retorno às atividades físicas mais leves, como caminhadas, natação e hidroginástica. A cirurgia dá excelentes e bons resultados em cerca de 96% dos casos, sendo que os 4% restantes podem apresentar alguma complicação relacionada à prótese ou ao ato operatório. Por isso, a seleção do implante deve ser rigorosa, devendo se optar por próteses que, comprovadamente por estudos científicos, durem mais.

A técnica operatória é um outro fator diferencial no resultado. Ao procurar um especialista para colocação de uma prótese, certifique-se que esse profissional possui experiência nesse tipo de cirurgia. A ortopedia está sempre evoluindo e hoje em dia já existem médicos especializados em quadril com conhecimento e experiência tanto para a indicação da prótese quanto para a técnica cirúrgica mais adequada para cada caso. Quanto menor o tempo operatório e o tamanho da incisão, mais rápida e menos dolorosa será a recuperação do paciente.

Pacientes acima dos 70 anos podem ser totalmente diferentes entre si. Podemos ter duas pessoas com a mesma idade em que uma seja hipertensa, diabética, cardíaca, leve vida sedentária ou apresente osteoporose. A outra controla seu coração com caminhadas diárias, não tem diabetes, goza de boa saúde e tem uma qualidade óssea boa. Logicamente, a segunda terá uma maior expectativa de vida, devendo-se optar, nesse caso, por uma prótese que tenha mais resistência e durabilidade e que permita maior mobilidade.

No caso do primeiro paciente pode-se optar por uma prótese cimentada, mais econômica, de articulação de metal com polietileno e cabeça de menor diâmetro, o que diminui o arco de movimento e aumenta a segurança.

No segundo pode-se usar uma prótese que dê maior mobilidade, com uma cabeça femoral maior e uma superfície de contato do tipo cerâmica-cerâmica ou metal-metal. Os novos polietilenos crosslink parecem possuir menor desgaste do que os comuns. Pode-se fixar o componente femoral com ou sem cimento ósseo.

Nas ilustrações abaixo é possível observar os diferentes materiais com que são confeccionadas as próteses de quadril.